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sexta-feira, 12 de junho de 2009

sábado, 2 de maio de 2009

chaves

PEQUENO INVENTÁRIO DE LUGARES COMUNS:

Uma construção física em cena: bater um bolo. riscos: o bolo pode solar, desandar. sob risco de não dar certo.
cheiros. sinestesia: a cor do cheiro do bolo. a imagem do cheiro do bolo. a música do cheiro do bolo.

provocar coisas sob o risco do real.

construir um móvel, uma peça do cenário: encaixe; prego e martelo. risco. violência: quebrar ovos.

quebrar ovo com martelo? usar o martelo com delicadeza.

o vídeo como o virtual - imagem pré-gravada

o vídeo como atual - circuito fechado - câmera em cena.
chroma key, por favor. blue screen em cena. é e não é.


o vídeo como as camadas de tempo - o mesmo lugar cheio, vazio, diferente, escuro, calro, habitado, inabitado.

câmera dentro do corpo. dentro do corpo

quarta-feira, 18 de março de 2009

testemunhas diárias


Pensando em objetos, móveis, espaço, arquitetura - as testemunhas de nossas ações diárias, coadjuvantes ou protagonistas. Me vem a imagem de 'retrato em movimento', uma imagem em vídeo de uma coisa parada, com sutis variações de luz, pequenos movimentos - do vento nas coisas, de um gato q cruza, da sombra de alguém que passa alí perto.

domingo, 1 de março de 2009

tempo e imagem em movimento

Desde qdo comecei a pensar neste projeto tenho algumas idéias de imagens em vídeo que me perseguem, imagens que possam materializar a passagem do tempo de alguma forma.

A primeira é aquela idéia exercitada na Alemanha, que é inspirada naquelas fotos (mostrei a vcs?) do Francis Alys: uma pessoa imóvel (ou MUITO lentamente se movendo) no meio de muitas pessoas em movimento mais acelerado. O contraste só é visível depois de algum tempo. Acho que o vídeo pode captar isso maravilhosamente, tipo gravamos alguém por cerca de 1 hora se movendo muito lentamente em lugar de passagem, depois usamos a aceleração (ou não) - para tornar visível esta imobilidade X movimento. Esta imagem me expressa muito o tempo passando sem parar. Acho que o contraste aguça a percepção do fluxo de passagem e do quanto o movimento lento (ou a imobilidade) podem passar desapercebidos num olhar apressado, só se configurando como experiência para o olhar mais contemplativo e atento.



A segunda tem relação com aquela coisa que te falei que vi na Alemanha - uma gravação(em CFTV) de uma paisagem com céu, sempre o mesmo ângulo, durante muito tempo (1 ano?), passando em FF, vemos a paisagem se modificando, sobretudo as mudanças climáticas, a luz. Pensei de fazermos uma gravação de um lugar bem carioca talvez, tipo a praia, por 1 ou 2 meses, com câmeras da baixa resolução (mas cloridas) para fazermos a experiiencia. tenho uma amiga (Dani Forte) q mora na praia de Copa, podíamos armar a traquitana lá na varanda dela, ligada diretamente a um computador q recebe as imagens. Acho interessante como um dia as vzs demora tanto a passar, e um mês ou ano nem se fala, e quantas coisas acontecem neste intervalo que deixamos de observar, presenciar, embora estivessem sempre presentes. Acho uma boa imagem da natureza que usa a mesma lógica das coisas que penso em termos de movimento para este trabalho, tudo o qe vivemos sem perceber, mas que costura a passagem do tempo de nossas vivências.

A terceira imagem é uma coisa que passei a observar mais atentamente de uns tempos para cá, e desde então sempre tenho uma deliciosa sensação de ser surpreendida toda vez que vejo - são os pássaros voando em bando no céu da cidade, entre prédios, montanhas e nuvens. Tem aquelas andorinhas voando em formação, q aparecem agora no verão e q é bem bonito, mas o que mais me intriga são os urubus. Já pararam para observar os urubus voando? Geralmente é em grupo, em movimentos circulares, e eles planam muito mais do que voam, o que dá uma qualidade temporal muito curiosa, de suspensão, de parar no tempo e no espaço, muito interessante.

Todas estas imagens são de longa duração, contemplativas, acho que só se estabelecem para o espectador com o tempo. As 2 primeiras trabalham sobre o contraste do tempo lento com o tempo acelerado. A última é para mim em si um contraste, o tempo suspenso da planagem dos urubus x a cidade. O se dar conta destas coisas num contexto cuja dinâmica geral não abre muito espaço para isso.

o que acham ??